: AGRADECIMENTOS
Dupont, do Blog
"O
Vilacondense",
faz uma homenagem sincera ao terceiro trabalho de Bruce
Springsteen, na altura do lançamento da edição
especial do
30º aniversário.
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Lançada em Novembro de 2005, esta edição
especial do 30º aniversário de Born to Run
contém:
. CD origianal remasterizado
. DVD com concerto integral da primeira visita do Boss a Londres
- 1975
. DVD documentário com imagens das gravações
do álbum, incluindo entrevistas com todos os intervenientes
. livro com fotografias inéditas |
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Os
30 anos de «Born To Run»
2005 tem sido um excelente ano para Bruce Springsteen:
lançou “Devils
and Dust”, um dos melhores discos da sua
carreira, fez uma tournée fantástica como comprovámos
em Madrid e celebra, agora, o 30º aniversário
de “Born to Run”,
o seu álbum mais simbólico e aquele que o lança
para o estrelato. Mas nem tudo foram rosas...

Em 1975, Springsteen estava à beira da bancarrota.
Devia dinheiro à companhia discográfica e à
banda. Os seus dois discos anteriores tinham vendido uns míseros
22.000 exemplares – somados! A Columbia,
sua companhia discográfica, não queria apostar
nele, mas antes no emergente “Piano Man”,
Billy Joel. Entretanto, o tempo passado a
gravar este terceiro trabalho era já infindável,
já tendo ultrapassado um ano. O stress era enorme e
a pressão para acabar o trabalho era tremenda. Como
ele próprio confessaria, era o disco do “tudo
ou nada”. Ou era um sucesso ou carreira dele acabaria
ali mesmo.
A ideia de Springsteen era de conceber o melhor álbum
rock de todos os tempos, que “tivesse o swagger de Presley,
a poesia de Dylan e o som de Spector”.
Tudo parecia empancado com a editora e com o seu manager Mike
Appel. Isto até surgir Jon
Landau, jornalista da Rolling Stone,
que havia escrito a profética e lendária frase:
“Eu vi o futuro do rock n’roll e o seu
nome é Bruce Springsteen”. A partir
de então, Landau foi tudo, desde amigo, confidente,
guru, manager e foi ele quem soube, sabiamente, alimentar
a carreira de Springsteen, pondo-o a ver filmes de John
Ford e colocando-o em contacto com muita da cultura
americana que o futuro “The Boss”
ainda desconhecia. Uma vez em acção, Landau
mexeu as cordas certas e o álbum foi para a rampa de
lançamento, sem antes terem chamado Roy Bittan
e Max Weinberg para teclas e bateria, respectivamente,
e que com Little Steven e Clarence
Clemons formariam a fabulosa E-Street Band,
sobre a qual Bono diz que “não
há ninguém como ela para fazer uma festa”...
O álbum está prestes a sair, mas, preparando
a grande explosão, são distribuídas cópias
avulsas do tema-título, ao mesmo tempo que Springsteen
é capa, na mesma semana, da TIME
e da Newsweek.
Os posters de promoção assustam-no e ele pede
para retirarem a frase tornada motto, de Jon Landau.
O sucesso foi enorme, tendo sido o primeiro álbum a
receber certificadamente o galardão de platina para
vendas superiores ao milhão de unidades. Mas, se a
sua carreira estava definitivamente lançada, Springsteen
sai desta aventura com tanto dinheiro como havia entrada,
isto é, nenhum. O cantor descobre que está completamente
amarrado ao contrato com o manager Mike Appel, além
de nada receber a título de comissões. A batalha
jurídica prolonga-se. No final, Springsteen consegue
a sua libertação profissional, mas perde os
direitos dos três primeiros discos.
É tempo, então, de nascer outra vez, desta vez
“born to run”.
Mas o que é que faz de “Born to Run” o álbum
mítico que hoje é? Por mim, ainda considero como
a sua obra-prima “Nebraska”,
o disco que antecedeu o sucesso planetário de “Born
in the USA”. Mas aceito que foi com “Born
to Run” que a temática e o imaginário do
cantor ficaram cristalizados. Foi aí que ele afirmou,
em “Thunder
Road”, que “I’ve got this guitar
and I’ve learn how to make it talk”, ou seja, é
o álbum de passagem para a idade adulta. É aqui
que tudo quanto é mito americano ganha vida sob a forma
de canção. É o jovem preocupado com as
namoradas, os amigos que não têm emprego mas que
mantêm e celebram uma profunda amizade, são retratos
semi-amargos de uma realidade americana que Springsteen conhecia
bem da sua New Jersey natal, mas que ninguém
se dava ao trabalho de pintar ou contar. Greil Marcus,
crítico da Rolling Stone, escreveria em Setembro de 1975,
na análise ao álbum, que “the stories Springsteen
is telling are nothing new, though no one has ever told them
better or made them matter more”.
“Born to Run” tem apenas oito músicas. Abre
acústico, com o piano solo de “Thunder Road”,
cuja letra todo o fã sabe de cor e salteado:
“The screen door slams
Mary's dress waves
Like a vision she dances across the porch
As the radio plays
Roy Orbison singing for the lonely
Hey that's me and I want you only (…)
Segue-se “Tenth
Avenue Freeze-Out”, sobre a confusão
citadina, “Night”
onde a noite é o refúgio e a paz, “Backstreets”
contando a vida dos jovens desempregados que deambulam pelas
ruas secundárias da grande cidade, "Born To Run",
extraordinário hino à liberdade, “She's
The One” sobre o amor perfeito, “Meeting
Across The River” sobre os pequenos biscates
ilegais que se fazem para arranjar algum dinheiro e “Jungleland”,
sobre lutas de gangs e fugas à polícia. As composições
são complexas, com metais e piano, o que lhe permite
fazer uma certa ponte entre o rock e a soul. Aliás,
a capa, com a foto do branco Springsteen debruçado
sobre o negro Clemons quererá dizer isso mesmo.
Muito boa gente, como Paul Gambaccini, autor
do “Top 100 Rock n’Roll Albums of All Time”,
considera Bob Dylan e Bruce Springsteen como os “outstanding
solo album artists in rock history”. Para mim, algures
situado entre o tendencialismo de um fã e um conhecimento
mínimo da história do rock, só consigo
vir um deles no lugar mais elevado do pódium da história
do rock...
Fontes: 'Rolling Stone', 'Uncut', 'NME - Rock n' Roll
Years', 'It Ain't No Sin to Be Glad You're Alive: The Promise
of Bruce Springsteen' de Eric Alterman.
Dupont
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